segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Em clima de pré-campanha, Paes reinaugura Praça Mauá após obras

No Rio

  • Ricardo Borges/Folhapress
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), reinaugurou neste domingo (6) a Praça Mauá, na Zona Portuária da cidade. O espaço devolve à capital carioca uma ligação do centro com a região, que tem vista para a Baia de Guanabara. "A inauguração da praça como está hoje é um marco e vai mudar a imagem antiga do local. É uma integração do centro com o restante da cidade. É preciso olhar para o centro, porque uma cidade sem centro é uma cidade sem alma", disse Paes.
Ele dedicou a reabertura do espaço às crianças da cidade e, ao falar do futuro, aproveitou o momento para ressaltar o secretário de Coordenação de Governo da Prefeitura, Pedro Paulo Teixeira, possível sucessor de Paes no cargo."E quem quiser me condenar na Justiça Eleitoral pode condenar", completou Paes.
Urbanizada no início do século passado, quando a grande reforma do prefeito Pereira Passos aterrou 1,5 milhão de metros quadrados para a construção do Porto do Rio, a Praça Mauá nasceu com a antiga avenida Central, atual avenida Rio Branco. O nome da praça é uma homenagem a Irineu Evangelista de Sousa (1813-1889), o empreendedor e abolicionista Barão de Mauá.
A praça fica no centro do restante das obras de revitalização da Região Portuária, ao lado dos Museus de Arte do Rio e do Museu do Amanhã, que deve ser inaugurado até o fim do ano. A área estava fechada desde 2011 para obras do Túnel Rio 450. A nova praça é seis vezes maior que a anterior, o espaço tem hoje 25 mil metros quadrados ante os 4.000 metros quadrados da configuração original.
No evento, Paes e Teixeira tiraram selfies, correram pela praça e tentaram lutar esgrima com alguns cariocas que participaram da inauguração. Ao final, eles ainda tomaram alguns copos de chope nos carrinhos de Food Truck instalados na lateral da praça.
A marqueteira Ana Paula Gonçalves, 37 anos, e o empresário Paulo Henrique Jinkings, 46 anos, vieram de Botafogo, na Zona Sul, curtir a nova praça com a filha Isabela."Trabalhei aqui do lado durante anos e era muito degradado. Nunca andei por aqui. Hoje viemos de metrô. Virou um programa", disse Jinkings. A mulher concorda. "Fizemos o primeiro piquenique da praça. A gente costuma fazer na Lagoa, agora vamos vir aqui", afirma Ana Paula.
Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Leia os termos de uso

sábado, 29 de agosto de 2015


Estudo aponta contaminação em areia de 12 de 13 praças no Rio

Areias de praças contaminadas são risco para crianças no Rio, diz Fiocruz
Creche da Urca e praça do Leme têm altos níveis de coliformes.

Lilian Quaino Do G1 Rio
Praça do Leme (Foto: Divulgação/Isabela Vasconcellos)Praça do Leme foi uma das pesquisadas (Foto: Divulgação/Isabela Vasconcellos)

De 13 áreas com areia frequentadas por crianças na cidade, apenas uma, na Urca, Zona Sul do Rio, não representa risco para a saúde. As demais têm índices de coliformes muito acima do limite recomentado, segundo estudo feito pela Fiocruz, a pedido da Comissão pelo Cumprimento das Leis da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a chamada “Comissão do Cumpra-se!”.

O resultado das amostras coletadas e analisadas pela Fiocruz foi apresentado em ato público pelo presidente da Comissão do Cumpra-se!, deputado Carlos Minc (PT), na Praça do Leme, Zona Sul do Rio, uma das mais contaminadas entre as analisadas. Na pracinha onde crianças brincam, entre elas alunos de uma escola municipal em frente, a areia dos locais com sombra apresentara um índice de coliformes de 2.200, quando o limite recomendável é até 138,44 UFC/g (unidade formadora de colônias por grama).

Cachorros circulam pela praça ao longo do dia, e mendigos à noite, usam a praça como banheiro. Fezes de cachorros, de pombos e de moradores de rua, segundo a pesquisa, são as maiores fontes de contaminação das áreas analisadas.
A única areia aprovada para a saúde entre as analisadas é a faixa de areia seca da Praia Vermelha, na Urca, ao lado da Creche Municipal Gabriela Mitral, com apenas 30 UFC/g de coliformes, uma classificação ótima segundo especialistas.

Mas é na própria Praia Vermelha que os técnicos encontraram o local mais contaminado entre os pesquisados: na creche do horto, a areia tem 2.500 UFC/g de coliformes. Na pracinha com brinquedos e no labirinto, o índice fica em 2.000 UFC/g.

O Bosque da Freguesia, na Zona Oeste, apresentou altos níveis de coliforme, fungos e parasitas. Em outro lado da cidade, em uma área carente da Zona Norte, na Tijuca, no Morro do Borel, uma creche pública também apresentou altíssimos índices de contaminantes. Outra área degradada é a Praça Saens Peña, de acordo com o estudo. Veja na tabela o grau de contaminação dos locais pesquisados. O estudo pesquisou a presença de coliformes, escherichia coli e fungos.
Índice de contaminação das areias de praças e creches (Foto: Divulgação)Índice de contaminação das areias de praças e creches (Foto: Divulgação)
Segundo o estudo, os resultados caracterizam uma situação de alerta à saúde dos frequentadores, sujeitos a contrair doenças como toxicoplasmose, candidiose e asccariadise, uma vez que mais de 90% das amostras coletadas foram negativas.  Os sintomas são os mais diversos como dor abdominal, micose, sapinho, diarreia aguda.

“A contaminação da areia desses espaços é profundamente danosa à população, principalmente para as crianças, que, brincando, levam a mão à boca. As doenças diarréicas são umas das principais causas de óbito de crianças até 2 anos de idade. É a população de maior risco”, disse o médico e especialista Luiz Roberto Tenório, que participou do ato público.

Com o resultado das amostras indicando risco de contaminação por doenças graves, Minc disse que pretende aprovar na Alerj projeto de lei que obriga o monitoramento semestral da qualidade da areia dos locais destinados ao lazer e à recreação, além de obrigar seus responsáveis a fazer o tratamento, a limpeza e a conservação da areia, para prevenir a proliferação de agentes transmissores de doenças.
A especialista da Fiocruz Adriana Sotero disse que os níveis contaminantes encontrados nos locais são assustadores.

“Existe a Lei Orgânica do município do Rio que fala sobre isso, mas não existe lei específica para creches e praças. O projeto normatizaria os padrões, principalmente de qualidade, que poderiam colocar em risco a saúde da população, principalmente de crianças, expostas a contrair bicho geográfico, que perfura a camada superficial da pele”, disse.

Minc disse que apesar de a Praça do Leme estar numa área nobre do Rio, os pais das crianças e seus responsáveis não têm a menor ideia do grau de contaminação.

“As autoridades também não. Não há prevenção, e é um risco para a criançada contrair inúmeras doenças. Com o projeto de lei, vamos informar, monitorar, prevenir e ter um padrão de referência. E quem descumprir, receberá multa, podendo até ocorrer a interdição do local", afirmou Minc.
Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o VC no G1 RJ ou por Whatsapp e Viber.
tópicos: